Melhores dias de nossas vidas (paisagem)
Ouvi dizer que a reitoria fora levantada sobre o solo sagrado de uma capela, onde o senhor dos escravos no passado se redimia por ter matado vários dos negros vagabundos que ele tando esconjurava a próprio punho, destroçados sob a força imperativa de seu chicote, tal comportamento era incompreendido até pelos seus amigos de latifúndio, quando veio a surgir a cidade, com seus prédios e a gentalha beata, o homem quase matou um mulato de raiva, que não ia dar as suas terras pra esse bandidos e prostitutas fundarem um bordel pros seus negros, que já eram vagabundos sem esse tipo pueril de vacilações, nesse ambiente cheio de almas doloridas e vagantes, surge o prédio da reitoria, no terreno maldito doado pela mulher traidora do dono de terras. Vadia, pode-se ouvir ressoar de narinas do fogo do homem, porém era naquela capela onde ele se habitava em silêncio, e punia as próprias costas com um chicote a base de metais preciosos e diamantes, não seria castigado pelo couro podre que batia nos escravos. A reitoria, com seus 25 caixas eletrônicos que piscavam feito caça-níqueis, e banqueiros exclusivos, bem como com a conexão direta com os gabinetes do governo e dos mexericos e fodeções de todas as instituições de fomento a pesquisa do país, ouvi dizer que a chefe do setor de incentivo à pesquisa de novas doenças e epidemias andou chupando o diretor do ala de armas químicas e fomento a segurança nacional, foi o que ouvi. Boiando por essa atmosfera indigerível de gravatas e perfumes franceses, misturados ao divino odor de suor sob o sol do sul do planeta, está o coração, a veia mãe dessa grande bolha de difamação, intelectualidade, vermes, sexo desprotegido, aprendizado, abortos ilegais, hippies, anarquista, nazi-fascistas, neo-escravistas, ruralistas, marxistas radicais, vegans, putas, freiras, pombas, defecamento e poemas de banheiro. Ouvi ali do canto que haverá uma discussão aberta sobre o estupro de uma menina, que foi queimada, o sorveteiro com olhos de macaco desesperado pensou quando as moças iam pro encontro, com suas roupas apertadas e curtas, com suas carnes à mostra “vão à caráter as putas”, das bocas inflamadas, com odores anti-sépticos, fluía uma enorme enxurrada, mirabolante e opiácea, saindo de tão belos lábios femininos. “Essa mentalidade machista e naturalizada de que as mulheres são meros objetos de consumo entendeu? Que vem do capitalismo selvagem e da sua mercadologia, é só você ver essas propagandas, e como a mulher sempre aparece, eu sou a favor da liberdade da mulher sobre o corpo dela” O céu amarelado fluía sobre a grama, onde em círculo um grupo fumava e se divertia pensando em insetos marinhos, “são grandes e azulados. Como uma daquelas moscas varejeiras? Sim. Isso é nojento vá se foder. Mas é verdade, são como ostras, são como varejeiras mesmo, e moram no fundo do mar, são fétidas, tem cheiro de uma palmilha de tênis usada por um ano por um pé purulento. Que nojo vá se foder. Bem vocês não entendem de psicodelia, os indianos comem insetos todos os dias e inventaram Shiva, e os mantras, vocês não sabem de nada. Um silêncio irrompe no circulo”. O professor Jacques Pierre de la… Interviu em uma discussão na mesa de aprovação de uma baixinha, cabisbaixa, gordinha, sem ter nem eira nem beira, permitiu que passasse, enquanto por traz de seus pensamentos, da sua nuca de onde os cabelos fugiam como um rato, e dos seus olhos purulentos e suados, e da sua calça onde surgia uma ereção, pensava num boquete daquela gordinha envergonhada, piscou pra ela quando ela levantou a cabeça, foi a oportunidade, ficou vermelha que nem sangue de virgem, foi o que ele pensou, a palavra virgem erigiu mais ainda sua pomposa barraca debaixo da mesa… “A epistemologia minha querida, é da origem social e intelectual onde vem o conhecimento, você precisa se certificar de saber tudo isso, para poder chupar, digo, chutar algumas bundas no dia da apresentação”
Ouvi no supermercado que a merda desses universitários empesteiam a cidade, fazendo os alugueis e tudo subir de preço, enquanto os papaizinhos ganham dinheiro nas suas fétidas cidadezinhas empesteadas de velhos, donde todos os jovens fogem em busca de chances, orgias e drogas, pra subir na vida. Os ônibus são cheios de jovens bem cuidadas que se agarram aos canos de metal amarelo, diminuindo a vida útil dos velhos que nem pagam o ônibus, e as empregadas e diaristas que limpam a merda, tem que vir apertadas, limpam os cabelos grudados no teto, os papeizinhos soft gozados dos sem-sorte, tem que pegar três ônibus para vir limpar as casas pomposas cheias de posteres de mulher pelada e inscrições de gente chapada nas paredes, são obrigadas a morar nas áreas mais distantes, onde o governo vem só de camburão, e onde se produzem em laboratórios arcaicos e donde saem as entregas das neurotoxinas emplastadas para abrir a mente, entregam com delivery, na porta de casa, pros jovenzinhos recém acordados. Porém são flores os olhos, a pele sedosa que desce do decote dela, são flores, quando ela bebeu aquilo, deitada no sofá da sala (Hendrix tocava no caixa amplificadora), ela fechou os olhos vermelhos e viu mil flores brotando no crepúsculo, por dentre fagulhas de luz e de cores de diamante, de calor e luta, conseguiu dividir na sua mente, e separar as ordens e as utilidades de cada um dos seus órgãos, lisos, conseguiu sentir o cheiro com sua língua, e ouvir com os poros do seu corpo que se abriam cheios de hormônio e suor, onde milhares de raios espectrais de luz viriam, numa matiz de cor que se formava em degradê, o deus hindu, com suas trompas de falópio eriçadas, roçou sua vagina, e enrabou todos as gotas que escorriam de uma chuva imensa, que se convertiam em água viva, um trovão de risadas irrompeu por sua garganta apertada, e por seus lábios abertos como uma fruta descascada, com as vísceras doces sobre a mesa. Num canto da sala um jovem, de cabelos oleosos, tocava um violão surrado, batendo em todas as cordas, em acordes que se seguiam numa sequência alucinada, em quanto virava os olhos para dentro e girava as órbitas oculares, soltando os cabos sanguíneos como a ponta de uma caneta esferográfica, e sua boca materializava em uma figura geométrica desprovida da ligação com Euclides, ou qualquer desses geometras, simplesmente era materialização do som que proferia, por sua cabeça, passavam polvos, com seus oito instrumentos fálicos, degenerando os óvulos não fecundados da sua amada. No centro da sala, imperava a dança de membros deslocados da ninfa superiora, com sua maquiagem borrada, que parecia um vazamento de óleo que produzia toda uma matiz de cores como um arco-íris amargurado, o vazamento de óleo em uma lagoa cristalina, desce a onda por seu peito, por sua pele, sua cor, onde se bordavam os apetrechos de seu corpo, sua mão tornada em arabesco, e sua boca lasciva e molhada, empapada, que se abria voluptuosa enquanto tocava os peitos por cima da blusa de cetim, eriçando-os, um mundo rasgado vazava sobre sua cabeça, em uma lampada de luz que irradiava focos de perdição por toda a sala, o mundo preso nos seus movimentos, a lua defecava seu encantamento em uma menstruação planetária sobre os solstícios metafísicos dela.
Ouvi dizer que o departamento de física vai produzir uma arma a Laser.
Lembra quando ainda eramos namorados? E assistimos tudo do Star Wars?
Lembro, imagine só o que acontece se isso sai aí pela rua, imagine só, armas a laser.
Lembra quando ainda transávamos daquele jeito? Queríamos sair pelados pela rua.
Lembro, imagine só, a carne queimada dos mendigos, mortos pelos fardados higienizando as ruas, e todos os nossos pensamentos ouvidos por censores, imagine, toda a maconha do mundo mercantilizada somente para os donos das multinacionais, está chegando, a inteligencia artificial, as máquinas de ler sonho, tudo isso feito enquanto despejamos de graça nossa informação, do nosso vício social, de nos mostrarmos, de sermos empresas a favor de nossa própria sede de sermos devorados pelos olhos dos outros, e colocamos tudo no computador, na rede, colocamos tudo que somos, onde fazemos, o que comemos, quem fodemos, enfiamos nossas porras tudo lá, pra eles saberem, com os olhos estourados, enquanto estupram os verdadeiros inimigos do estado em banheiros cheios de porra em quarteis generais disfarçados de bordel.
Quando estávamos juntos conversamos sobre essas coisas.
Sim, está tudo aí, uma porra de ficção cientifica chegando, uma porra de George Orwell entendeu? Uma porra dessas aí, tamo fodido, nosso inferno será o quarto 101.
Faz mais uma carreira e cheira, enquanto ela acaricia seus pelos do peito, e depois lambe suavemente seus mamilos “quando estávamos juntos ele gostava disso.”
No pátio e no gramado, guirlandas de protesto são colocadas, crânios de animas são decorados com outros apetrechos de cadáveres mortos, são os vegetarianos radicais, a ala cristã fica chocada, empunhando crucifixos e fantasias de pombos, sentam em circulo e oram, enquanto os cínicos bebem suco de frutas vermelhas, que lembra o sangue dos animais dependurados, os vegans gritam, fora hipocrisia, queremos anistia! Nas horas intermináveis de aula, onde as bundas ficam quadradas como que fechadas em molduras, ou formas, de gelatina, excrementos de nariz são colados debaixo das mesas, as bocas que abrem bocejando infinitas, ar pra dentro, ficam abertas como se fossem comer as nucas uns dos outros, o relógio marca o tempo, em que o giz se esfarela. A professora Anita anda com suas pernas torneadas e com seu calor interno de um lado para o outro, na frente de quarenta mais ou menos, seres que lhe absorvem toda a carne com olhos grandes e ouvidos de estetoscópio, ou outros que acham desprezível, enojam aquele balé de fórmulas e caminhos que se fecham em si mesmo “somos trabalhadores da mente, dos números, da carne mutilada por trás dos olhos” no departamento de medicina, um corpo fresco de morador de rua deitado sobre a mesa é cortado com estiletes (falta dinheiro pros bisturis), enquanto uma menina pequena e loirinha, de óculos grandes e olhos claros vomita num balde propicio, e seu namorado, grande e desajeitado, com sua massa corporal mal distribuída, com olhos psicóticos desfia a carne com precisão de açougueiro, o professor defende que o exercício prático é essencial pra obra de arte que é a constituição da medicina, de um intelecto capaz de aguentar situações desagradáveis, por isso mesmo deixaram de banhar o corpo ou de fazer qualquer higiene, para treinar o espirito daqueles garotos e garotas, eis o exercício da profissão. As empresas, grandes e estatais, querem nossa ajuda, disse o reitor, numa conferência, enquanto os adeptos da farra urravam em negatividade pela sua presença, elas querem nossa ajuda, e vão investir milhões em nossa instituição se abrirmos as portas (abrirmos o cu pros paus degenerados deles gerarem fetos de monstros, como aliens cibernéticos, produzidos por todas as vacinas e cosméticos testados em animais). Ouvi dizer que tem uma grande caldeira repleta de Coca-Cola no departamento de química, onde jogam os experimentos que funcionam errado, aberrações de ratos gigantes com topetes e dentes venenosos, cabeças que vivem por si, separadas dos corpos dos macacos, que vão roendo a própria gengiva, tentando se consumir, e por aí vai, outro boato é que um circo clandestino para homens terrivelmente ricos, que funciona em algum sub país africano, também se beneficia desse fato.
Era dia do acontecimento do ano, um caminhão viria, era dia de festa, um caminhão com alto-falantes capaz de impedir o sono de todos os asilos num raio de 10 quilômetros, na sua carcaça garrafões e barris de cerveja, vodca, e álcool puro em reserva era repartido comunalmente por mangueiras e torneiras e também por hidrantes estourados, era a festa da comunidade do campus, as pessoas da cidade, vendo suas ruas infestadas, acabavam por se infiltrar na festa, sendo consumidos e pisoteados pelas rodas em demasia dos carros grandes de vidros escuros, havia 36 ambulâncias de acordo com relatórios oficiais, um jovem com um megafone, proferia um discurso nos moldes dos proferidos nas orgias na áurea ascensão do império romano, a batida ritmada levava o pulso de carne, as ondas de frenesi elétrico em repetição se repercutia em ecos e devastando a calma, levando embalando o fluxo que se esfregava e se esfacelava em calor, suor, carne e fios de esperma, as mentes se esqueciam das fatalidades, a alegria empesteava os corações, o céu parecia multicolorido, era como se não houvesse mais aquela divisão geométrica e imposta de cada ser preso ao seu maldito corpo, sem conexão, tudo era conectado, uno, como uma máquina coletiva, com olhos extasiados que se reviravam, andava sem rodas, uma gigante lesma que andava apenas em pulsões, fluxos de músculo num uno e gigante órgão sem nome, deixando apenas o rastro infeccioso atrás do seu caminho, massa de peitos e carne, e de uma dionisíaca fúria que se contorcia de êxtase, a levitação foi inevitável, enquanto a nudez se tornava clara e suja e os corpos se interpenetravam, os restos de pessoas deixadas a dormir pelas calçadas tinha número incerto, e assim aconteceu até a manhã, enquanto as paredes ficaram melosas, e o chão exigia o sol para derreter a matéria humana que deveria virar asfalto, aconteceu até o outro dia, quando amanheceu e as mulheres e os que dormiam pelos cantos acordaram com um súbito interesse em conferir suas partes genitais, e os jornais anunciavam grandes números, as grandes empresas e todos os vereadores de terno e dentes largos sorriam, enquanto a carne agora dispersa em indivíduos fecundados ou não, rumava para o descanso dos seus corpos, aguardando o novo dia para consumir a quantidade diária de folhas verdes, seres vivos chamuscados em churrascos, líquidos de suas variadas formas, sonhos de suas variadas cores, carnes com seus múltiplos cheiros, anseios para os seus futuros daqueles bons dias que logo terminariam.

tipo um bosch
de fato, você estava certo. gostei muito!