Eu não sou alguém
Não estou muito bem
obrigado.
Não há um na noite
escura, sou no escuro, dedos, violão
sons somente para mim
minha hora é única
Pelo ruído, arranho a corda
não amigo, não te abraço
não existe
não conforto
não pra mim.
Não estou muito bem
Obrigado.
Não há preocupação
esqueça, estou bem
esqueça, obrigado.
Sorrio pra você
Sou simples como a água
escorrendo pelo esgoto
insipida, inodora, toda tóxica
Na poesia evacuo todo o resto
de vácuo, cristalino
Enrubeço, não me olha assim
enraiveço, não me olha assim
que eu não esqueço, nunca mais.
Poema 0
Posted 28 Outubro, 2009 by boldrinCategories: Meus, Poesia
Tags: 0, Me apresento, Me ausento, Poesia
1 Ano!
Posted 25 Outubro, 2009 by boldrinCategories: Poesia, Uncategorized
Tags: aniversário, degeneração fresca, drummond, Oubli
Sim, 1 ano…
Pra comemorar vai um Drummond:
O poeta escolhe seu túmulo
Onde foi Tróia,
onde foi Helena,
onde a erva cresce,
onde te despi,
onde pastam coelhos
a roer o tempo,
e um rio molha
roupas largadas,
onde houve, não
há mais agora
o ramo inclinado,
eu me sinto bem
e aí me sepulto
para sempre e um dia.
—
Oubli
degenerar para mal servir
Conto tirado de uma notícia de telejornal
Posted 22 Outubro, 2009 by boldrinCategories: Continhos, Dos confis do por aí, Meus
Tags: Conto, Jornal, Mãe matou filho, Noiticia de Jornal
(pra ler jantando e falando sobre coisas casuais)
Tem uma luz, forte, na minha cara… Tem uma tela e um repórter me pergunta através dela, tem uma tela, sim, e um homem grande, truculento, com um microfone, tem outro na minha mão… Tem um microfone…
Os dias passaram rápidos… Uma cela fria, sangue nas minhas mãos…
Ele pergunta:
- Mulher, você sabe o que fez?
O que fiz? O que ele tá dizendo?
- você matou seu filho, diga ao Brasil porque.
Porque, porque? Não sei porque, eu matei meu filho? Realmente fiz isso… tenho que responder.. o repórter esta revolto, esta vermelho, quase baba.
- Não sei
- Como não sabe? Que tipo de pessoa é você? Mata o filho e não sabe porque? Tá ouvindo isso? Tão ouvindo isso?
- Não sei… Sou uma pessoa normal….
- Uma pessoa normal? Eu estou louco então
Silencio… Porque ele tá fazendo isso? Já não tenho meu filho, meu deus, matei meu filho…
- O Brasil te acha má, o Brasil precisa entender porque você fez isso, o Brasil quer saber mulher!
- Eu não sei…
- E aquele rapaz? O Wander, seu namorado.
- Ele não tem nada com isso… foi um caso, acabou, ele não tem nada a ver com isso.
Porque tenho que ouvir sobre ele? Aquele diabo… aquele homem maldito…
- Ah, não tem…
Não tem, diabos, não tem… Não tem nada com ele… Ele tinha… tinha algo e não tem mais… eu não tenho mais… aquelas pestes, aquela vida desgraçada… o que eu fiz? Meu Deus…
- Porque então, você matou seu filho? Diz , pra gente entender
Entender… Porque precisam entender? Porque querem saber afinal? Quem teve o filho? Quem suportou? Ninguém queria saber… ninguém queria…
- Já contei pro delegado.
- Me diz, Helena, você crê em Deus? Você acha que Deus existe?
Deus?
- Deus existe, creio sim
- O Brasil não te entende, eu não te entendo, você quer que eu entenda uma coisa assim? (ele grita) Como uma mãe mata um filho? Deus disse, minha cara, Deus disse que não se pode matar ao próximo, imagine um filho Helena, um Filho!
Virgem maria, cheia de graça, não fui forte, matei meu filho… fico em silencio…
- Quem vai entender uma coisa dessa?
Porque eu não consigo chorar? Porque minha cara nesse tela fica assim, tão reta, ríspida, eu matei meu filho, tenho a agonia dentro de mim… Ah.. Meu filho…
- Eu não te entendo Helena…
Break.
Teo(a)gonia
Posted 21 Outubro, 2009 by boldrinCategories: Meus, Poesia
Tags: Criação, Deus, Não Crer, Poesia, Simbologias, Virgem
Por todas as cenas de pietá
virgem maria,
caustica agonia
de um cristo todo mole, de músculos tesos
Por todas as simbologias
as mortes por arsênico
das meninas moles
não mais virgens, porém, marias….
Meninas moles, de ácidas margens, olhos fluidos
Sim, por todos que acreditam
seja em vénus, a estrela d’alva
seja no céu que cospe rios
Seja na marca da genética das mãos cansadas…
… nos olhos nas cartas que sugerem esperanças parcas…
Minha velha e doce mulher!
acende a vela e reza pra chama
reza pelas meninas moles
pelas mortes de arsênico…
Reza por mim, que não rezo.
Hernesto – Conto/poema
Posted 18 Outubro, 2009 by boldrinCategories: Continhos, Meus, Poesia
Tags: Canção, Hernesto, Mudo, Pelúcia, Ursinho
Quando nasceu Hernesto, ele não chorou
olhou e olhou, assustado e vermelho
e entrou o ar no pulmão pequeno
mas não foi alívio e refrescancia o que sentiu o bebê
foi o ar espesso como gelatina que o nariz soprou
Mamãe não olhou assustada, nem ao menos chorou
“antes nascer morto que viver no terror”
mas do mundo caduco ele não se livrou
nasceu e pra um fim de mundo, enxertado e ferido
foi carregado em braços fibrosos que o mundo a mãe dele entregou
sem beijo e ninar, pouco leite mamou
não chorava e quase esquecido foi crescendo puído e sem brilho, na parede pregado o sonho de um pai desertor
“Hernesto é nome forte, de quem herdou do avô”
na escola ou na rua, Hernesto nunca falou
Alguns achavam estranho, mas quando não pinica a urtiga
sua folhinha é uma flor
Quando ja grande se via não havia sibilado mais que um por favor…
Um dia, com seus doze anos e olhar sem amor ou pávio
deixou-se perder pela rua, pra esquecer a fuligem da dor
andou e andou e encontrou no meio do lixo
um ursinho peludo, pelúcia sujeira e fedor
Olhou pros olhos de plástico reluzindo a luz do sol a se pôr
e quando apertou o peito do bichinho marrom,
das estradas do mundo uma canção, tão plástica e pausada
pelo desgaste sem dor, soou no beco esquecido
(então os lábios Hernesto abriu, se assustou, se encantou, se abriu)
Hernesto agaixado no lodo, quis então cantar e tentou
bateu no seu peito bem forte, pra que de si surgisse a canção, do seu coração coagulado, da vida sofrida e sem cor
Bateu no peito a noite toda e somente do bichinho inanimado, fluia do peito o amor
Então pela primeira vez, Hernesto chorou e desistiu, ficou ali deitado
com o peito amassado, ouvindo o ruido agudinho do bichinho,
até que a pilha acabou.
___
Conto/poema antigo que finalmente brotou.
Cortázar
Posted 14 Outubro, 2009 by boldrinCategories: Dos confis do por aí, Poesia
Tags: A cara dos Anjos, Album de fotos, Julio Cortázar, Literatura Argentina, poema
Álbum de fotos
(edição 1967, d.C.)
A verdadeira cara dos anjos
é que há napalm e há neblina e há tortura.
A cara verdadeira
é o sapato na merda, a segunda-feira de manhã, o jornal.
A verdadeira cara
está pendurada em cabides e liquidação de saldos, dos anjos
a cara verdadeira
é um álbum que custa trinta francos
e está cheio e caras (as veradeiras caras dos anjos):
a cara de um negrinho faminto,
a cara de um caboclinho mendigando,
um vietnamita, um argentino, um espanhol, a cara
verde da fome verdadeira dos anjos,
por três mil francos a emoção em casa,
a cara verdadeira dos anjos,
a cara verdadeira dos homens,
a verdadeira cara dos anjos.
Era vem, era vai
Posted 8 Outubro, 2009 by boldrinCategories: Meus, Poesia
Tags: Comemorar, Flores, Insensatez, Plásico, Poesia
Dois poemas pra comemorar
______
Eu falo com ninguém
A massa vazia é moldável
tem agora cheiro de flores
mas flores de plástico
O cheiro do meu vazio
é o cheiro de flores
magnólias, tão perfumadas
magnânimas petálas, polimeros límpidos
Porque o plástico habita meu vazio
com flores plásticas capitalistas?
é um pesadelo
pureza, me possua
através da tua força
de mulher nua
Pureza, me torture
com tua mulher nua
Pra eu esquecer agora, inadimitindo a volta
dessas terríveis maculas ornamentais
blasfêmias com cheiros de azul impossivel
No meu sonho só existe a pureza
através da força
das mulheres, todas nuas
numa tortura tão pura!
Mágica e decadente
a pétala real exala o perfume
que nega a alquimia
Eu falo com ninguém
a massa vazia é moldável
tem cheiros de flores
O cheiro do meu vazio
é o cheiro de flores
pureza num vazio
de mulher nua.
—————————
Insensatez (prelúdio e fuga)
Eu quis, eu quis, eu quis
eu pude, naquela hora
naquele instante
comungar tudo que quis
que eu sempre quis e quis
e nunca estive tão perto
Meus dedos encontraram a lenta distância dos seus
e tudo o mais esteve perto
eu quis, te quis, te quis
vi deuses que não acredito e olhei em olhos que não acredito
Quem é você ou eu?
me senti estranho dentro de mim
sempre na primeira pessoa desse universo inteiro
me dirigindo a você
e você na cadência de uma estrela
na terra do meu mundo, da minha terra natal
eu te quis, quis e quero colidir
meu espaço todo com você
sinto que quero ainda
te amo como amam os loucos
nos manicômios mágicos, nos calabouços mentais
não acredito em nada
não sei acreditar em nada
porque não pude deixar a infância calibrar meu sonhos vãos
eu te amo como amam os loucos
Sem que a crença dessas palavras façam juz ao ar que vibro ao gritar
grito intensamente, num frenético e obtuso sonho
de colidir em uma explosão ao seu corpo, e juntos vociferarmos incertezas dúbias
em todos os céus do mundo
em todos os máres ímpios
nas festas sanguineas dos povos puros
nas lânguidas noites estelares!
O amor é tão louco agora
é tão louco meu corpo
nessa música infinita, de apenas alguns minutos sonoros
que duram a eternidade da satisfação…
Quero fugir desse pensamento
quero não pensar nisso
Eu quis eu quis
eu pude naquela hora.
Escorremos
Posted 13 Setembro, 2009 by boldrinCategories: Meus, Poesia
Tags: abismal, Amor?, Ecorrer, líquido, Poesia
Empacotadas frases balbuciando um festival
e a garota está na minha mão
e os dedos são cristais escorregadios
e não olho nada além do seu líquido oceano existencial
não há uma ação natural
estamos presos a nós iquebráveis na seda mais lisa
estamos presos aos movimentos da estabilidade
estamos presos ao dia de imóvel agonia
estamos agonizando em silêncio
e o sorriso é maculado
fluir é nossa vida única
Empacotados num embrulho triste
empacotados no total da existencia
Só queremos um ao outro
só queremos viver numa casa de vidro onde tudo é todo
mas a vergonha supõe o avesso.
ela vive, sózinha nos meus dedos de cristal!
num barco iluminado de estrelas universais
ela vive cega e muda no mar das minhas águas
vive no torpe sono da noite púrpura
Está na minha mão
e os dedos são tobogans de luz e chama
e não olho nada além do seu líquido corpo abismal
vem um sopro de dentro
com o hálito da minha insapiencia infinita
suspiro como que cansado, como que amando
somos tão irreais
somos o esquecimento natural.
Não há desespero em vão
Posted 23 Agosto, 2009 by boldrinCategories: Meus, Poesia
Tags: Amor?, anjo!, desespero
O amor é forte como uma gripe
uma doença de mal gosto
no píncaro da flecha amarga
de um anjo ateu!
Ilustrativo – O peso do dia
Posted 4 Agosto, 2009 by boldrinCategories: Meus, Visual
Tags: boldrin, deviantart, dia, imagem, peso


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